Branca de Neve, o Caçador e o novo ideal feminino

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Depois de Mirror Mirror, foi a vez de conferir mais uma versão de Branca de Neve nos cinemas: Snow White and the Huntsman – Branca de Neve e o Caçador.

A começar pelo título, que é misterioso e interessante, Branca de Neve e o Caçador é surpreendente em todos os sentidos e superou todas as expectativas (as minhas, pelo menos). O filme vai muito além de um conto de fadas hollywoodiano para assistir comendo pipoca, e me provocou uma viagem pessoal incrível…

Trata-se de uma versão contemporânea de um dos contos de fadas mais famosos e antigos do mundo. Sim, esta se passa na mesma época mágica e medieval que conhecemos — o “contemporâneo” se deu ao fato da história ser contata através da visão e interpretação desta geração atual. Uma geração que começa a ver a mulher por outros ângulos…

Convenhamos: é um filme sobre mulheres. De um lado, a deslumbrante rainha Ravenna, interpretada por Charlize Theron, e do outro, uma Branca de Neve hard core, interpretada por Kristen Stewart. Os dois pontos principais de toda a história. Desta vez, até sentimos pena da rainha (a própria Snow White admite…), pois, pasmem: é possível indentificar-se com ela. Tudo está mais real, mais palpável e humano. Não há sentimento censurado. Finalmente, a história de Branca de Neve é contata com todos os detalhes, todas as nuances e possibilidades do mundo feminino.

Nos anos 30, Walt Disney apresentou ao mundo sua Branca de Neve: Uma menina frágil, muito ingênua, que até consegue fugir da rainha, mas acaba lavando, passando e cozinhando para 7 anões e sendo salva por um príncipe que, mesmo só precisando dar um beijinho xoxo no final, acaba sendo o herói da história. Esta era a visão que a sociedade tinha da mulher e muitas se colocavam neste papel, sem questionar. A princesa não podia sujar as mãos, nem vestir armadura… E nós crescemos visando este ideal feminino. Quantas mulheres até hoje ainda insistem em procurar seu “príncipe encantado”? Porque a jornada não importa, a aventura, os valores, a luta… O que importa mesmo é cavalgar com um príncipe em direção ao pôr do Sol! Quanto disperdício, não?

Que presente, este filme! A Branca de Neve de agora continua sendo “a mais bela”, continua inocente e tem bom coração, mas é guerreira. Ela cavalga sem cela, desafia com uma espada e luta com as próprias mãos (sem medo de suja-las) por aquilo que acredita. O príncipe? Que príncipe? Neste filme nem havia um! Mas nem por isso ela deixa de ter paixões… A versão dos Irmãos Grimm é até tão sombria quanto, mas não vai a fundo na complexidade feminina.

Longe de querer declamar aquele discurso clichê de super-mulher. Este post não é sobre feminismo, mas sobre mulheres, apenas. Branca de Neve e o Caçador comemora o “novo” ideal de mulher, um ideal que poderia ter sido visado há muitos e muitos séculos, caso  diversos “artifícios”, como religião e força física, não tivessem sidos usados para nos impedir de chegar ao poder.

Entendam, não estou afirmando que a mulher é ou era melhor ou mais inteligente do que o homem. Estou apenas comentando o fato de que finalmente temos espaço para manifestar as nossas qualidades, nossas ideias e, claro, nossas fraquezas e complicações também. E pela primeira vez estamos realmente sendo ouvidas e levadas em consideração.

Escutei muito que Charlize rouba a cena, mas não concordo. É, na verdade, o poder e a confiança da rainha Ravenna que nos conquista e prende nossos olhos na tela. Porque queremos ser como ela; porque somos, muitas vezes. Eu, por outro lado, me identifiquei muito mais com a personagem de Kristen. Era como se a criança dentro de mim se libertasse da ideia de ser apenas princesa presa na torre e passasse a ter todas as possibilidades do mundo!

O filme, entretanto, faz uma homenagem a versão de Walt Disney. São claras as referências visuais, como quando Branca de Neve entra na floresta negra, ou quando é apresentada ao santuário das fadas. Cada familiaridade tocava meu coração, bem lá no fundo. Meus olhos encheram de lágrimas. Foi como um rito de passagem. Finalmente, estava livre da minha infância, encarando aquele conto tão familiar com outros olhos e outro coração.

Que presente, este filme, para todas nós mulheres.

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